quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Saiba tudo sobre PARALELISMO

 

Paralelismo sintático e paralelismo semântico

PARALELISMO: consiste em uma sequência de expressões com estrutura idêntica.


PARALELISMO SINTÁTICO: ocorre paralelismo sintático quando a estrutura de termos coordenados entre si é idêntica.

Esclarecendo: termos coordenados entre si são aqueles que desempenham a mesma função sintática dentro do período. Podem aparecer expressões nominais ou orações coordenadas em uma frase.

Vejamos os exemplos:


Ela vende balas e biscoitos.
  • Os termos coordenados são: “balas” e “biscoitos”. Veja que esses termos estão unidos pela conjunção “e” e apresentam a mesma função sintática na sentença: ambos são objetos do verbo “vender”.
  • O paralelismo sintático encontra-se na semelhança dos termos coordenados: veja que tanto a palavra “balas” quanto a palavra “biscoitos” são expressões nominais simples, ou seja, elas se apresentam, na sentença, em uma estrutura sintática idêntica.

Ela pensou na carreira, isto é, no futuro.
  • Os termos coordenados são: “na carreira” e “no futuro”. Veja que esses termos estão separados pela expressão “isto é” e apresentam a mesma função sintática: ambos são complemento do verbo “pensar”,  que rege a preposição “em”(“pensar em algo”).
  • O paralelismo sintático encontra-se na semelhança dos termos coordenados: veja que tanto a expressão “na carreira” quanto a expressão “no futuro” são formadas pela preposição “em” mais um substantivo, ou seja, elas se apresentam, na sentença, em uma estrutura sintática idêntica.

Eu li todos os livros, mas não entendi tudo. 
  • Os termos coordenados são: “Eu li todos os livros” e “não entendi tudo”. Veja que esses termos são duas orações unidas pela conjunção “mas”.
  • O paralelismo sintático encontra-se na semelhança das orações coordenadas: ambas apresentam estruturas sintáticas equivalentes, e os verbos estão flexionados adequadamente.

Prefiro um grupo de estudos pequeno a uma turma de cursinho lotada.
  • Os termos coordenados são: “um grupo de estudos pequeno” e “uma turma de cursinho lotada”. Veja que esses termos são separados pela preposição “a” e apresentam a mesma função sintática: são complementos do verbo “preferir” (“preferir isso a aquilo”).
  • O paralelismo sintático encontra-se na semelhança dos termos coordenados: veja que tanto a expressão “um grupo de estudos pequeno” quanto a expressão “uma turma de cursinho lotada” são estruturas que têm como núcleo uma substantivo, ou seja, apresentam uma estrutura sintática idêntica.

Agora veja:


Prefiro estudar em casa a aulas particulares.  
  • Da mesma forma como na frase anterior, temos dois termos coordenados entre si: “estudar em casa” e “aulas particulares”. Veja que esses termos também são separados pela preposição “a” e desempenham a mesma função sintática de complementos do verbo “preferir”.
  • Nessa frase, porém, temos um problema de paralelismo sintático: veja que a primeira expressão estrutura-se em forma de oração reduzida “estudar”, já a segunda expressão é um termo nominal, isto é, tem como núcleo um nome: “aulas particulares” = núcleo: “aulas”. Essa diferença de estrutura sintática determina o problema de paralelismo.


PARALELISMO SEMÂNTICO: consiste em uma sequência de expressões simétricas no plano das ideias. É a coerência entre as informações.


Vejamos os exemplos:


João gosta de uva e de maçã verde.
  • Sem dificuldade podemos entender a relação semântica entre as expressões “uva” e “maçã verde”: são frutas de que João gosta.

Agora veja:


Ele gosta de livros de ficção e de ovo mexido.
  • Nesse exemplo, os termos “livros de ficção” e “ovo mexido” não constituem uma sequência lógica e esperada na frase. Temos dificuldade de relacionar a presença de ambos os termos na forma como foram apresentados. Esse é um exemplo de falta de paralelismo semântico.

Vejamos um texto retirado da Folha.com:


Português: Falta de paralelismo semântico cria efeito de estilo

THAÍS NICOLETI DE CAMARGO da Folha de S.Paulo

Já tratamos neste espaço da importância do paralelismo sintático para a clareza da expressão. Em: "Ele hesitava entre ir ao cinema ou ir ao teatro", falta simetria no plano sintático. O uso da preposição "entre" pressupõe a existência de dois elementos de mesmo valor sintático ligados pela conjunção "e". Como a conjunção "ou" indica alternativa, é possível ocorrer confusão num contexto como esse.

É preciso lembrar, entretanto, que a preposição "entre" delimita um intervalo entre dois pontos definidos. Daí o motivo de reger dois elementos ligados por "e".

Mas, atenção. Embora claro do ponto de vista do paralelismo sintático, um enunciado como "A diferença entre os alunos e as carteiras disponíveis na sala é muito grande" contém um problema semântico. Alunos e carteiras não são elementos comparáveis entre si.

A diferença a que se refere a sentença é numérica. Então, o ideal é dizer: "A diferença entre o número de alunos e o de carteiras é muito grande". Agora, sim, a informação ganhou precisão. Faltava na frase o que chamamos paralelismo semântico, ou seja, a simetria no plano das idéias.

Esse é o mesmo problema verificado em construções do tipo: "O time brasileiro vai enfrentar a França nas quartas-de-final". Ora, um time não pode enfrentar um país. Então, entre outras possibilidades: "O time brasileiro vai enfrentar a seleção da França" ou "O Brasil vai enfrentar a França".

Preservar o paralelismo semântico é tão importante quanto preservar o paralelismo sintático. Mas, na pena de um bom escritor, a quebra da simetria semântica pode resultar em curiosos efeitos de estilo. Não foi outra coisa o que fez Machado de Assis no conhecido trecho de "Memórias Póstumas de Brás Cubas", em que, irônica e amargamente, o narrador diz: "Marcela amou-me durante 15 meses e 11 contos de réis". No mesmo livro: "antes cair das nuvens que de um terceiro andar".

O uso desse artifício parece ser uma das marcas estilísticas do autor. Na abertura de "Dom Casmurro", o narrador diz: "(...) encontrei (...) um rapaz (...), que eu conheço de vista e de chapéu".

No conto "O Enfermeiro", ao anunciar que vai relatar um episódio, o narrador adverte que poderia contar sua vida inteira, "mas para isso era preciso tempo, ânimo e papel". O elemento "papel", disposto nessa seqüência, surpreende o leitor e instala o discurso irônico.Ter ou não papel para escrever é algo prosaico. A falta de ânimo, um problema pessoal, está em outro patamar semântico.

Essa interpenetração de planos é um dos articuladores do tom irônico do discurso machadiano.

Thaís Nicoleti de Camargo é consultora de língua portuguesa da Folha



Para finalizar, vejamos um texto retirado da Wikipédia



PARALELISMO
O que se denomina paralelismo sintático é um encadeamento de funções sintáticas idênticas ou um encadeamento de orações de valores sintáticos iguais. Orações que se apresentam com a mesma estrutura sintática externa, ao ligarem-se umas às outras em processo no qual não se permite estabelecer maior relevância de uma sobre a outra, criam um processo de ligação por coordenação. Diz-se que estão formando um paralelismo sintático.


Paralelismos frequentes


e; sem

Ele conseguiu transformar-se no Ministro das Relações Exteriores e no homem forte do governo.

Não adianta invadir a Bolívia sem romper o contrato do gás.


não só... mas também

O projeto 'não só será apreciado, como também será aprovado.


mas

Não estou descontente com seu desempenho, mas sim com sua arrogância.


ou

O governo ou se torna racional ou se destrói de vez. " Maria Rita, ou seja amiga dos alunos ou perca o emprego."


tanto... quanto

Estávamos questionando tanto seu modo de ver os problemas quanto sua forma de solucioná-los.


isto é, ou seja

Você deveria estar preocupado com seu futuro, isto é, com sua sobrevivência.


ora...ora

Ora a desejava, ora a ignorava .
 
(http://www.gramatiquice.com.br/2011/02/paralelismo-sintatico-e-paralelismo.html)

Como fazer um Editorial

Como fazer um editorial
                                                                                             
            FONTE: Ismar de Oliveira Soares


É necessário saber que um editorial tem caráter dissertativo. Ou seja: defende teses. Geralmente as teses são enunciadas na introdução, seguindo-se, no corpo da matéria, a concatenação dos fatos e argumentos que levarão o leitor, na conclusão, a endossar o pensamento do veículo.

Partes


1 – Justificativa do tema

2 – Apresentação da tese

3 – Corpo

4 – Conclusão

É importante, ao analisarmos um editorial verificar, por exemplo, quais os fundamentos filosóficos, sociológicos ou políticos que sustentam as argumentações desse editorial? Bem como quais os conceitos (ou pré-conceitos) que os jornais querem passar aos leitores?

O gênero opinativo no jornalismo costuma ocupar pouco espaço. As matérias opinativas são, contudo, de fácil identificação, merecendo destaque em meio às notícias e reportagens.

O jornalismo brasileiro, até bem pouco tempo, vivia em função quase exclusivamente da defesa explicita de idéias e princípios. Podemos dizer que foi depois da 2a Guerra Mundial que nossos jornais conseguiram libertar-se da preocupação excessiva com a opinião de seus proprietários para apresentar como um serviço noticioso “neutro”, capaz de fornecer as informações necessárias para o funcionamento da sociedade.



Características do Artigo de Opinião

Artigo de opinião: texto jornalístico que caracteriza-se por expor claramente a opinião do seu autor. Também chamado de matéria assinada ou coluna (quando substitui uma seção fixa do jornal).

As CARACTERÍSTICAS do artigo de opinião são:
  • Contém um título polêmico ou provocador.
  • Expõe uma idéia ou ponto de vista sobre determinado assunto.
  • Apresenta três partes: exposição, interpretação e opinião.
  • Utiliza verbos predominantemente no presente.
  • Utiliza linguagem objetiva (3ª pessoa) ou subjetiva (1ª pessoa).

PROCEDIMENTOS ARGUMENTATIVOS DE UM ARTIGO DE OPINIÃO:

  • Relações de causa e consequência.
  • Comparações entre épocas e lugares.
  • Retrocesso por meio da narração de um fato.
  • Antecipação de uma possível crítica do leitor, construindo antecipadamente os contra-argumentos.
  • Estabelecimento de interlocução com o leitor.
  • Produção de afirmações radicais, de efeito.

EXEMPLO  DE  ARTIGO DE OPINIÃO:

BALEIAS NÃO ME EMOCIONAM,  DE LYA LUFT.
           Hoje quero falar de gente e bichos. De notícias que freqüentemente aparecem sobre baleias encalhadas e pinguins perdidos em alguma praia. Não sei se me aborrece ou me inquieta ver tantas pessoas acorrendo, torcendo, chorando, porque uma baleia morre encalhada. Mas certamente não me emociona. Sei que não vão me achar muito simpática, mas eu não sou sempre simpática. Aliás, se não gosto de grosseria nem de vulgaridade, também desconfio dos eternos bonzinhos, dos politicamente corretos, dos sempre sorridentes ou gentis. Prefiro o olho no olho, a clareza e a sinceridade – desde que não machuque só pelo prazer de magoar ou por ressentimento. Não gosto de ver bicho sofrendo: sempre curti animais, fui criada com eles. Na casa onde nasci e cresci, tive até uma coruja, chamada, sabe Deus por quê, Sebastião. Era branca, enorme, com aqueles olhos que reviravam. Fugiu da gaiola especialmente construída para ela, quase do tamanho de um pequeno quarto, e por muitos dias eu a procurei no topo das árvores, doída de saudade. Na ilha improvável que havia no mínimo lago do jardim que se estendia atrás da casa, viveu a certa altura da minha infância um casal de veadinhos, dos quais um também fugiu. O outro morreu pouco depois. Segundo o jardineiro, morreu de saudade do fujão – minha primeira visão infantil de um amor romeu-e-julieta. Tive uma gata chamada Adelaide, nome da personagem sofredora de uma novela de rádio que fazia suspirar minha avó, e que meu irmão pequeno matou (a gata), nunca entendi como – uma das primeiras tragédias de que tive conhecimento. De modo que animais fazem parte de minha história, com muitas aventuras, divertimento e alguma tristeza. Mas voltemos às baleias encalhadas: pessoas torcem as mãos, chegam máquinas variadas para içar os bichos, aplicam-se lençóis molhados, abrem-se manchetes em jornais e as televisões mostram tudo em horário nobre. O público, presente ou em casa, acompanha como se fosse alguém da família e, quando o fim chega, é lamentado quase com pêsames e oração. Confesso que não consigo me comover da mesma forma: pouca sensibilidade, uma alma de gelos nórdicos, quem sabe? Mesmo os que não me apreciam, não creiam nisso. Não é que eu ache que sofrimento de animal não valha a pena, a solidariedade, o dinheiro. Mas eu preferia que tudo isso fosse gasto com eles depois de não haver mais crianças enfiando a cara no vidro de meu carro para pedir trocados, adultos famintos dormindo em bancos de praça, famílias morando embaixo de pontes ou adolescentes morrendo drogados nas calçadas. Tenho certeza de que um mendigo morto na beira da praia causaria menos comoção do que uma baleia. Nenhum Greenpeace defensor de seres humanos se moveria. Nenhuma manchete seria estampada. Uma ambulância talvez levasse horas para chegar, o corpo coberto por um jornal, quem sabe uma vela acesa. Curiosidade, rostos virados, um sentimentozinho de culpa, possivelmente irritação: cadê as autoridades, ninguém toma providência? Diante de um morto humano, ou de um candidato a morto na calçada, a gente se protege com uma armadura. De modo que (perdão) vejo sem entusiasmo as campanhas em favor dos animais – pelo menos enquanto se deletarem tão facilmente homens e mulheres.
(Revista Veja, abril de 2005.)
(http://pessoal.educacional.com.br/up/4380001/881679/t1323.asp)

quinta-feira, 2 de agosto de 2012


Olá, amiguinhos do SEGUNDO SOL!! Essa turma é um skândalo!! ADORO!! Passando aqui só pra dizer que não vejo a hora de voltarmos pra nossas, digamos, calientes aulas! Sério, temos muito a fazer no segundo semestre: o jornal tem que sair, o nosso blog tem que inchar e o TALENTOS NOTÁVEIS tem que ser o MELHOR DE TODOS OS TEMPOS! Mas antes preciso saber se fizeram o dever de férias. Bom, pra quem é bom de memória, tivemo como meta a leitura dos CONTOS DE EDGAR ALLAN POE. Como foi? Espero que além deste título, a turma tenha lido outros... De qualquer forma, a leitura será sempre nossa prioridade, porque como podemos PRODUZIR textos se não os conhecemos a fundo, se não lemos o que nos foi deixado pelos mestres no assunto.Portanto, quero desejar a todos FELIZ VOLTA ÀS AULAS e que possamos avançar no curso com mais dedicação, visualizando o 3° ANO, e o ENEM. "Vamo" nessa!

quinta-feira, 8 de março de 2012

Crônica



O velhinho do Viagra
Daniel Filho

Um fato muito hilário, em um telejornal do Sul do Brasil, a apresentadora dá uma notícia que deveria ser meio trágica e curiosa, mas foi uma “news” com motivo de se cair na risada.

A apresentadora deu a notícia de que um velhinho fez um erro que custou a sua vida, ele estava com prisão de ventre. Um fato muito hilário, em um telejornal do Sul do Brasil. Ele foi até o banheiro para tomar o seu remédio, mas ele acabou trocando o remédio de prisão de ventre por Viagra, tomando quatro pílulas acarretando a sua morte.

Quando a jornalista estava dando essa notícia, ela não aguentou o fato e caiu na risada, não conseguindo terminar de dar a notícia, acarretando uma quebra na rotina das notícias do telejornal. Realmente um fato muito bizarro de se dar como notícia em um jornal.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

O que vejo pela janela...


O que vejo pela janela
Anderson Pereira

Dirijo meu carro, tenho cuidado.
Tristeza profunda, coração apertado.
Crianças na rua, esmola a pedir.
Ricos voando estão a sorrir.
Paro adiante. Vejo na escola
Bandido atirando, drogado com cola.
Os alunos a chorar, nao querem morrer.
Inevitável. Doze mortes vou ver.
Resolvo continuar, seguir meu caminho
Olho à janela, um Brasil sem carinho.
Vou até o Rio, morro do Alemão.
Não consigo chegar, medo no coração.
Traficantes de droga estão lá escondidos
Abandonando seus lares, o povo corre perigo.
Por onde passo, violência só vejo.
Futuro com paz, é isso que eu desejo.
Não só eu, mas aquelas crianças
Que moram no esgoto, sem esperança.
No Nordeste eu vou, que decepção:
Cadê a assistência pra esse povão?
O povo na seca morrendo de fome.
A mulher só reclama: "Vai trabaiar, home."
Resolvo partir, vou me mudar.
Aqui no Brasil, não aguento ficar.
Eu volto somente quando aqui eu ver
A paz a reinar e o Brasil a crescer.
Só assim vou cantar, forte e viril.
"Dos filho deste dolo és mãe gentil, pátria amada Brasil!".

domingo, 11 de setembro de 2011

Só o tosco salva

5 de setembro de 2011 às 10h55

Só o tosco salva

Rosana Hermann

A palavra tosco teria sua origem no latim, tuscus, que significa "de baixa qualidade". Esse significado teria vindo de Vicus Tuscus, vila etrusca de má reputação na antiga Roma. Acho que é isso. E, aproveitando a viagem à Toscana, Se non è vero, è ben trovato.
De qualquer forma, todos concordamos, tosco é uma coisa sem qualidade nenhuma, mal acabada, mal feita. Se sabemos disso, por que então o tosco está tão na moda?
Fácil. Porque o tosco faz todo mundo se sentir superior. A fulana é burra? Ela fala errado no vídeo? Eu falo certo, PORTANTO, sou inteligente. Burra é ela. A mulher é ridícula? Está fazendo papel de idiota na TV? Então eu me sinto superior, sou bacana, sou legal! O ator é ruim? Vamos promovê-lo, exibí-lo, assim eu me sinto mais!O palhaço é totalmente banguela? Que bom. Os poucos dentes que perdi já não me fazem sofrer diante daquele que não tem dente nenhum.
É a teoria do Bomchibombombombombom. O de cima sobe e o de baixo desce. Eu estou me sentindo por baixo? Pois é só achar alguém mais abaixo (inferior) a mim e botá-la mais pra baixo ainda, fingindo que estou gostando. Pronto, subi. Me sinto muito feliz agora, bem mais acima.AHAHA, como é bom rir do vídeo do Pedro cadê meu chip. Me sinto tão rica agora. Que delícia. (ironia modo ON)
Porque é pra lá que todos estamos indo, não? Pra cima? Claro que é. Queremos ascender socialmente. Todo mundo quer ser lindo e rico. Até o mais tosco dos toscos quer ser rico e lindo. Até quem diz que não. E nada melhor para inflar nosso ego do que comparar nossas poucas qualidades com alguém que tem ainda menos qualidades.
Se você é feio e anda com gente ainda mais feia, você fica bonito. Se você é baixinho e anda com gente ainda mais baixinha, você parece alto. Porque tudo é questão de comparação. Pague a rodada de pinga no boteco e sinta-se um milionário. Como é bom ser melhor.
E é por tudo isso que o tosco faz tanto sucesso. Porque ele dá um parâmetro BAIXO, sem qualidade, fácil de ser superado. A Sônia fala YouTubio errado? Vamos promovê-la!  Assim, quem fala IuTubi, que também está errado, vai se sentir BEM, vai se sentir MELHOR que ela, que fala mais errado ainda.
Só que, né, é cruel falar mal dos coitados. Vamos então criar um mecanismo de defesa, um álibi social: vamos pegar o TOSCO, esse que faz a gente se sentir superior e vamos aplaudir como se fosse a melhor coisa do mundo! Vamos dizer que é genial. Assim ninguem poderá nos culpar!Vamos brincar de faz de conta de forma coletiva, oba!
Olha que inteligência social, gente. Um povo de sábios intuitivos nesse nosso Brasil.
A gente faz assim: vamos ficar procurando no YouTube até achar alguma coisa bem tosca. Aí a gente pega e manda pra um blog ou portal com muita visibilidade. O dono vai ficar contente, porque ele ganha sem ter que produzir conteúdo e a gente ganha porque ele BOTA O NOSSO NOME  NO BLOG, iuhuuu! Sucesso. Tá famoso, hein...? Vi seu nome lá no blog!
Aí o vídeo vai ficando famoso, famoso, até aparecer na...na... bingo! Na televisão! Nossa, que glória.
Agora sim, o circo está armado. Pessoas disputando a paternidade da Edinéia Macedo no Twitter. Eu descobri primeiro! Fui eu que vi! Eu que achei! Eu já gostava dela antes de todo mundo, gritam todos.  Edineia vai tomar um banho de loja, vai ficar linda, a TV vai fazer um clip de sonho pra ela. Ela vai chorar de emoção e vamos todos ficar com o coração mole. Como somos bons! Como somos magnânimos! Ajudamos os toscos no caminho da fama, promovemos os coitados, como somos maravilhosos!

_________ pausa ________
pausa para reflexão

Somos maravilhosos? Magnânimos? Não, somos parte de uma grande cadeia de exploradores da ignorância alheia. Somos culpados de tudo isso. E ainda rimos. Somos nós que promovemos essa situação em que o Brasil se encontra. Porque hoje você finge que acha genial um vídeo sem qualidade, com uma mulher genuinamente ingênua, com desejos mas sem oportunidades que diz "as quatro estação". E amanhã, você estará deitado na cama de um hospital sendo operado por um médico tosco, que fez uma faculdade sem qualidade, correndo o risco de ter sua perna amputada por falta de competência. Ou estará votando num idiota qualquer porque você achou que seria 'toscamente engraçado' ver aquela pessoa 'no meio dos políticos'. Raciocínio tão inteligente quanto deixar uma casca de banana na própria porta pra cair depois.
Não adianta me odiar. Nem se odiar. A saída é a consciência, a mudança. É parar com essa mania de dizer AMO quando você odeia e ADORO quando você despreza. Essa excesso de cinismo e ironia que só disfarça nosso complexo de inferioridade.Ironia e cinismo deveriam ser temperos. Não é pra comer orégano de colherada. Faz mal.
Porque só a realidade nos salva, não o tosco. Só faz cirurgia pra redução de estômago quem admite que está muito acima do peso e por isso pode morrer. Se você é gordo e SE ENGANA dizendo que é magro, você morre disso.  Só melhora quem admite que está ruim. Só aprende quem admite que não sabe.Negar a realidade, fingir, ainda que coletivamente é coisa de lenda. O rei está nu. O clip da Edineia é tosco. Aos 33 segundos tem um mamilo de fora no biquíni de uma dançarina. Ela não é um talento, ela não canta bem. Vai me dizer que você não sabia disso? Claro, todo mundo sabe que o rei está nu. Ninguém aponta isso porque tem medo de parecer BURRO se disser que não vê o tecido que só os INTELIGENTES conseguem ver.
Enquanto a gente ficar aqui, coletivamente brincando desse faz-de-conta cruel, fingindo que acha a Edineia um gênio e morrendo de rir às suas custas, não vamos melhorar.Porque não vamos admitir o quanto nós todos como sociedade somos ignorantes! Quanto precisamos de ESCOLA e educação.
Porque tosco não é ter compaixão pela Edineia,  isso é humano. Tosco não é vê-la sonhando com a fama vendida pela mídia como solução para a miséria, isso é humano. O sonho dela é legítimo. E me comove. Tosco é ter casa, comida, empregada, dinheiro, emprego e usar as pessoas mais simples como parâmetro pra fazer você se  sentir culto e superior .
Tosco é você apontar o outro dizendo que ele explora a miséria humana e fazer EXATAMENTE O MESMO na Internet explorando a miséria cultural da Edineia.
Não estou dizendo que não é engraçado. É engraçado, sim, porque é tosco. É também triste e patético.
Mas, né, estou falando sozinha. Sozinha com minha rabugice envelhecida.Eu, o menino tonto que não entendeu a "brincadeira" do povo e aponta o dedinho dizendo que o rei está nu. Está, menino, mas A GENTE COMBINAMOS que ele está com finas vestes, ok? Menino tosco...
A TV vai dar a ela fama, fortuna, dentista (o que é bom), banho de loja e todos vão dizer que estou com inveja da Edinéia.
Agora, dar escola e plural ninguém vai, né?
Vamos então continuar assim; Brasil, um país de toscos.
E vamos morrer disso, da nossa tosqueira. Com políticos toscos, justiça tosca, distribuição tosca de renda, educação tosca, saúde tosca.
Ah, esses etruscos.